A gente adora ver o improvável acontecer. Davi vai lutar contra Golias, prá quem vc torce? Davi, é claro. Se o Golias vence, nada de extraordinário terá acontecido. Deu a lógica. Nada de excitante. Mas se Davi vencer – uau! – teremos algo do que conversar por muito tempo. Psicólogos têm outras explicações para isso.
Como disse Nelson Rodrigues, nós brasileiros temos um complexo de vira-lata, surgido na Copa do Mundo de 1950, quando perdemos a final para o Uruguai. A gente se sente inferior quando comparado com o resto do mundo. Isso é por que não valorizamos a excelência e torcemos sempre pelo fraco.
Os debates televisivos na TV brasileira conduzintes à eleição presidencial do último fim de semana ajudaram a associar a incumbente com Davi e o desafiante com Golias. A diferença na capacidade de se expressar fluente e coerentemente entre os dois candidatos foi tão gritante que a audiência se sentiu embaraçada e com pena da parte que deixou a desejar. A pequena maioria do povo brasileiro, caridoso e compadecido, votou nela.
Isso vai nos custar caro e reforçar o complexo de vira-lata por anos por vir.
